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sexta-feira, 3 de julho de 2009

DISCUSSÃO ESTÚPIDA

Está rolando toda uma dicussão do tipo "bola na mão, mão na bola" sobre a aplicação de alguns quadrinhos em sala de aula. Primeiro foi o escândalo em cima de um livro "10 na área, um na banheira e ninguém no gol" que conteria cenas inapropriadas para crianças. Agora algum cocoroca está indo atrás das obras do genial Will Eisner, condenando a graphic novel Um contrato com Deus, que é um clássico de literatura e não só de das HQs.

Achei no site topblog o blog do Mário César que tem tirinhas ótimas e duas que discutem o assunto. Confira abaixo:


domingo, 28 de junho de 2009

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

EU ASSISTI O HULK (cheio de spoilers...se não viu o filme, não leia)

Hoje assisti a nova versão do Incrível Hulk, estrelada por Edward Norton e achei bem média. Na realidade o filme é um samba do crioulo doido misturando gibis, série de TV e tentando entrelaçar todo o universo Marvel, mas vamos por partes.

O maior absurdo do filme foram as cenas no Brasil. Primeiro porque sei lá que chicanos convidaram para falar português e o sotaque é patético. Depois a empresa de guaraná que Banner trabalha NA ROCINHA produz um líquido verde limão (!!!!). E mais absurdo que um cara virar um monstro verde é um comando militar americano (com uns 10 caras) entrar na Rocinha à noite, perseguir o pobre Banner pelas vielas, destruir uma fábrica e ainda sair VIVO! UAU, a Rocinha é segura pacas! Essa perseguição, porém, é um dos pontos altos do filme. A sequência é muito bem filmada e editada. O que ninguém explica é como depois o Hulk foi do Rio para a Guatemala (6.627 km, pesquisei) em uma noite e como Banner consegue chegar nos EUA só com uma calça rasgada.
No quesito mistura tudo e vê o que dá temos que a origem do personagem no filme é a mesma do seriado de TV (os equipamentos são os mesmos aliás) só que acontece que misturaram com a origem do Capitão América (o soro do supersoldado que o general diz que foi produzido na segunda guerra) e nessas aparece o Abominável (numa batalha cansativa pacas).

Já no setor nerd gostei das homenagens a Bill Bixby, o Banner da TV (ele aparece na TV em um filme antigo, já que morreu faz tempo), a Lou Ferrigno (que fazia o monstro verde do seriado) que dubla o monstro, diga-se de passagem e descobri que o velhinho, dono do restaurante, era o cara que dublava a dupla médico e monstro dos quadrinhos naqueles antigos desenhos de TV que víamos quando petizes. Como se isso não bastasse, o moleque da universidade que filma a batalha (outra BOA) e aparece na TV como jornalista da faculdade se chama Jack McGee, o nome do repórter chatérrimo que enchia o saco do Hulk da TV.
Uma vez que você não é leitor de gibis, então conto que o médico que ajuda o Banner e que começa a ter sua cabeça desfigurada depois que cai o sangue do Hulk em seu machucado, virará o Líder, provavelmente vilão do próximo filme. E que quando Tony Stark (cameo appereance de Robert Downey Jr) diz que vai formar uma equipe, ela será Os Vingadores (em que o Hulk foi um dos fundadores no gibi, junto do Capitão América, Vespa e Dr. Pym). Viu quanta informação idiota? Tudo num filme só!

Por isso que é divertido para um nerd ver e depois esquecer, mas não sei como é para um leigo.

E não gaste seu dinheiro. É um filmeco para ver quando passar na TV a cabo!

Em tempo: o Hulk deste filme está mais expressivo e natural que o do filme anterior. Confira abaixo:



segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O ONÍRICO WINSOR McCAY

Para quem gosta de quadrinhos, Winsor McCay é um mestre. Para aqueles que curtem animação, ele é o maior pioneiro. Para os, como eu, que adoram os dois, McCay é um deus! Ele começou a desenhar por volta de 1903, criando cartuns para o Cincinatti Enquirer. A partir de 1904 (até 1916), passou a desenhar o mundo dos sonhos com duas obras geniais: Little Nemo in Slumberland e Dreams of a Rarebit Fiend (que a tradução literal seria Sonhos de um fanático por biscoitos com queijo). Enquanto o primeiro focava as aventuras pueris de um garoto (Nemo) no reino encantado do sonho, sempre terminando com o menino caindo da cama, o segundo, mais voltado ao público adulto, mostrava pesadelos de pessoas que comeram demais antes de dormir. Nemo é poesia. Rarebit é sarcasmo e crítica!
Em 1911, passou a fazer desenhos animados, o primeiro artista americano a mergulhar nessa nova arte. Gertie, O Dinossauro virou referência no gênero pois se tratava de um animal com sentimentos. Reagia, chorava, ria e influenciou (e muito) o trabalho de um carinha que até tinha um certo talento: Walt Disney! E inúmeras gerações depois como John Lasseter da Pixar e Nick Park de Wallace & Gromit. Além disso, McCay também foi um precussor de certas linguagens que depois viraram rotina, como fazer seus desenhos animados mostrando sua p´ropria mão desenhando e os personagens ganharem vida e até mesmo mesclar imagens reais com animadas (ele andou no dorso de Gertie em uma das animações).
McCay morreu em 1934 aos 67 anos de idade.

Curta agora Little Nemo (detalhe, note o "trabalho de câmera" na aproximação do elefante), um dos Dreams of a Rarebit fiend (o meu preferido com um cara sonhando com o próprio enterro. Veja a capacidade criativa do desenhista ao mostrar TUDO do ângulo do defunto - e as pessoas metendo a boca no falecido), uma brincadeira com a estrutura dos quadrinhos (que ele fazia à exaustão) e um pedacinho de Gertie.


terça-feira, 29 de julho de 2008

TORCER OU TEMER?

Outro dia, aqui no Blog, meu tio (o Suannes do Circus do Suannes, registrado nos blogs recomendados), me desafiou para um duelo porque eu disse que não gostei de Sin City, o filme. Explico: tenho TODOS os gibis do Sin City aqui e são maravilhosos. Grande leitura, linguagem primorosa e um belíssimo trabalho artístico em preto-e-branco. Quando Frank Miller (o autor) e Robert Rodrigues (o diretor) resolveram transpor para a tela exatamente igual ao quadrinho, eu acho que a coisa desandou. Isso porque as linguagens são diferentes. Você ler balõezinhos com o que o personagem pensa é divertido. Assistir duas horas de voice-over (quando você OUVE o que o personagem pensa) é muito cansativo. Pense bem, porque os X-Men tem uniformes coloridos nos gibis e preto nos filmes? Porque é ridículo vê-los de colant colorido em carne-e-osso. O gibi necessita de cores, de algo que os diferencie. A telona não. É só prestar atenção no uniforme do Superman nos filmes. Por Tutatis, o cara ainda usa cueca em cima da calça (dizem que é porque perdeu no braço-de-ferro para o Chuck Norris, mas isso é outra história)! Até agora, a maioria dos filmes de heróis tem sido mais pé no chão e levado uma realidade fantasiosa em consideração. E no ano que vem, teremos mais um filme que promete surpreender para o bem ou para o mal. E aqui começa o post:

Em 1985, a DC Comics pretendia fazer uma mini-série com personagens da então extinta e adquirida Charlton Comics (que possuía o Besouro Azul - este uma cópia do Batman, o Questão, o Pacificador, o Capitão Átomo, entre outros). Chamou um rapaz louco, neurótico e genial chamado Alan Moore (o barbudo ao lado) para escrevê-la, mas Moore veio com uma história apocalíptica, num EUA alternativo onde Nixon ainda era presidente e a Guerra Fria continuava à toda, quase à beira da catástrofe atômica. A história era boa demais, mas a DC tinha planos para aqueles velhos personagens, então deram sinal verde para uma série, mas com personagens inéditos. E eis que surgem os Watchmen (Vigilantes, em inglês).

Violento e realista, Watchmen é considerada a melhor série de quadrinhos já publicadas até hoje e redefiniu os rumos desta arte, consagrando seu autor e o desenhista (o simpátivo Dave Gibbons). Imagine um mundo onde pessoas se vestem de uniformes (sem poderes) e saem às ruas para fazer justiça, desde os anos 40. Na década de 60 surge um super-herói, em um acidente num laboratório (o Dr. Manhattan, o cara azul que você verá em breve). Com ele, os EUA ganham a guerra do Vietnã e Nixon se mantém no poder. Os anos 70, porém reserva uma surpresa, o Congresso vota uma lei que proíbe o vigilantismo (o povo protestava contra os mascarados, pixando Who watches the Watchmen? - quem vigia os vigilantes - nas paredes). Os anos passam e esses heróis, já aposentados, começam a ser mortos (os caras da Pixar beberam dessa fonte em Os Incríveis), mas havia algo muito maior por trás. E o mais renegado dos heróis, Rorshach - um mascarado paranóico, começa a investigar.

A mini-série em quadrinhos teve 12 capítulos. Disputei quase à tapa, o último exemplar com um amigo, porque a banca de jornal onde estávamos (em Ubatuba) só tinha um. E já li e reli mais de 15 vezes.

Obviamente que uma idéia assim, deveria virar filme. Começou com um projeto de Terry Gillian (ex-Monty Python, diretor de Brazil, o Filme; O Pescador de Ilusões, 12 Macacos etc.), mas este considerou o enredo tão complexo que sugeriu transformá-lo em uma série de TV de 5 horas de duração. Foi gongado. Passou na mão de mais alguns diretores e finalmente foi dado a Zack Snyder que fez, brilhantemente, outra adaptação de gibi: 300 de Esparta. O filme sai no ano que vem. Ontem consegui o trailer e fiquei impressionado e assustado. Um site de nerds o considerou um felatio for the eyes. Para quem já leu a série, as cenas mostradas são perfeitas (e, na minha opinião, o trailer parece ter sido feito para calar a boca dos nerds fanáticos). Aproveitei para escanear alguns quadrinhos para que você possa comparar ao trailer e entender o que estou falando..

Só que me dá um pouco de medo. Watchmen é complexo mesmo. Tem muitos flashbacks, muitas histórias paralelas e o gibi trazia reportagens de jornais e revistas com os personagens, fichas psicológicas, trechos de livros que algum personagem escreveu e assim por diante. Era quase um documentário. Além disso, cortando todo o enredo, havia um quadrinho dentro do quadrinho (pura metalinguagem). Um moleque lia um gibi chamado Contos do Cargueiro Negro e você lia essa história enquanto via o que acontecia com os heróis. Snyder já disse que isso não vai aparecer no filme e sim na versão para o DVD. Enfim, poderá ser uma grande obra ou uma grande decepção. Vale ressaltar que Alan Moore não permite que NADA do que ele escreve seja filmado (especialmente depois de detonarem a Liga Extraordinária), mas como os direitos não são dele e sim da DC (do grupo Warner) o filme está sendo feito. Ele já disse que nunca vai assistir, nem dar apoio ao lançamento. Dave Gibbons, porém participou dos desenhos de produção. Assim, enquanto março de 2009 não vem, fiquemos com o trailer.

O cartaz do filme versus a capa do primeiro número:


Algumas coisas que você vai ver no trailer (na ordem que aparecem):



E finalmente, o trailer:

terça-feira, 8 de julho de 2008

FALTOU ALMA NO SPIRIT (UM TROCADILHO IDIOTA)

Postei em certa feita, no meu antigo blog, sobre o desenhista e roteirista de quadrinhos Darwyn Cooke, um dos melhores que surgiu na nova safra (leia meu post aqui). Cooke, graças a seu traço retrô, ganhou a benção do deus das HQs Will Eisner para dar continuidade a um personagem há muito esquecido: The Spirit.

Já que você, provavelmente, não sabe do que estou falando, então vamos lá: Will Eisner foi o Sheakespeare dos quadrinhos. Criou o Spirit na década de 40 (um detetive dado como morto, daí o nome), desenhou manuais para o exército na Guerra da Coréia (tenho um amigo que tem um desses, que ensina como montar e fazer manutenção numa metralhadora) e na década de 80 criou e batizou a Graphic Novel, quadrinhos mais intimistas, mais trabalhados, com melhores roteiros, ou seja narrativas gráficas. Fez algumas maravilhosas como O Edifício, Pequenos Milagres e, o best of the best Um Contrato com Deus. Sua importância é tão grande que virou nome de prêmio nessa arte. Tive a chance de assistir uma palestra dele no MIS em 1986 e ainda por cima conversei com o figura!

Voltando ao Cooke, seu traço é perfeito. Parece que vemos Eisner (já morto) reencarnado no artista. Faltou porém história e ousadia. Porque os enredos originais do personagem, aqueles antigos, eram surreais, agitados, algumas vezes sem pé nem cabeça. O de Darwyn é certinho. Parece uma história do Batman. As vilãs era amorais e mesmo assim você as adorava. Cooke já justifica porque P´Gell, uma das mais famosas sedutoras dos quadrinhos, é má. Faltou a ousadia que Eisner colocava na diagramação das páginas. Quadrinhos que invadiam outros, páginas sem quadrinhos etc. Na nova versão, tudo é bem quadradinho. E ainda, Eisner inseria o nome do SPIRIT naturalmente no primeiro quadrinho. Cooke forçou a barra para fazer isso. Enfim, uma decepção.

Em breve vcê vai ouvir falar MAIS de Spirit, já que outro mestre das HQs, Frank Miller (aquele que renovou Batman, desenhou e co-dirigiu 300 de Esparta etc.) está filmando o personagem aos moldes de Sin City (também sua obra). Aliás, não curti Sin City, o filme. Reproduzir a linguagem dos quadrinhos exatamente igual nas telas, na minha opinião, não funciona. Mas isso é papo para outro post.

Abaixo, o Spirit de EiSner (note que o nome do personagem está caindo na sarjeta), o Spirit de Cooke e o cartaz do filme.