terça-feira, 28 de outubro de 2008

ROLE MODELS

Apesar da mitologia (antiga e moderna) estar repleta de heróis valentes e cheios de princípios e morais, o que a gente gosta mesmo é de um bom mal-caráter. Veja nos quadrinhos. Superman tem todos os poderes do mundo, mas é o Batman que manda bem (até no cinema, como comprovado). A figura do anti-herói tem sido bem explorada no cinema, com aquele cara que, apesar de odiar que está fazendo, faz e faz bem feito (veja Han Solo, por exemplo). Na TV, o negócio não é diferente. Especialmente nos últimos tempos. Então aqui vão algumas figurinhas para você se basear e se tornar um homem mais completo e bem-sucedido:

ALAN SHORE: se você não assiste Boston Legal (Justiça Sem Limites em terras tupiniquins), está perdendo um dos melhores seriados de advocacia da TV americana. Apesar de ter William Shatner tirando sarro dele mesmo (como um advogado sênior que se acha o máximo), o maior destaque é Alan Shore. Misógino, convencido, arrogante, inteligente e sarcástico, Shore esconde um homem cheio de princípios rígidos. Só que ele não mostra isso a toda hora. E mesmo assim, a mulherada cai em cima dele. O velho lance de tentar dobrar uma barra de ferro. Elas não conseguem. Shore usa de qualquer artimanha possível para vencer dentro e fora dos tribunais. Detalhe: o personagem começou na última temporada de The Practice, mas fez tanto sucesso de "mudou" de escritório quando a série foi cancelada.

DR. GREGORY HOUSE:é difícil imaginar na vida real alguém tão sem empatia. Um médico que gosta de doenças e odeio pacientes faz a nossa alegria com seu mau humor, frases desconcertantes e técnica de humilhar quem estiver na frente. Não que isso seja muito bom. O cara ja perdeu esposa, equipe e melhor amigo graças à sua falta de cortesia. E convenhamos, como médico ele deixa a desejar, porque seus pacientes passam pelo inferno até ele decobrir a real doença lá pelo finalzinho do episódio. OK, o pessoal sobrevive, mas não antes de ser vasculhado internamente por todos os orifícios.

Charles Francis Harper: esse leva a vida que queríamos ter. Não faz nada a não ser compor jingles medíocres, tem qualquer mulher que deseja e vive em Malibu! E não só isso! Também é amigo de Sean Penn, Elvis Costelo e Harry Dean Stanton. Charlie é o típico macho. Usa todo mundo, dispara chavecos lamentáveis e ainda manda bem na cama, fazendo com que mulherada se derreta por ele. Só não pode encontrar uma garota com personalidade ou que tenha idéias próprias, porque aí, ele vai trocar os pés pelas mãos e agir como um bebê chorão. Seu irmão Alan tem uma participação importante na sua vida: é seu saco de pancadas. Por isso, Charlie é o cara!

Donald Draper: o que dizer de um cara que é diretor de criação de uma agência de publicidade em 1960 e que na realidade não se chama Don Draper? Pois é, o charmoso e sério publicitário de Mad Men assumiu a identidade de um tenente morto quando lutou na Guerra da Coréia. Isso porque o fato de ser filho de uma prostituta e ter sido criado por tios que o lembravam disso a todo o tempo marcou profundamente a alma de Draper. E é por essa razão que ele trai sua lindíssima mulher, não deixa ninguém entrar na sua intimidade (nem ser chefe, o amigo mais próximo) e é temido por todos os funcionários (especialmente secretárias) da Sterling & Cooper. Só que, em contrapartida, é um tremendo publicitário.

Emerson Cod: o detetive de Pushing Daisies tem uma característica marcante: nada é melhor que dinheiro. Sendo assim, ao descobrir que Ned, o fazedor de tortas, podia ressuscitar mortos, ele já achou uma solução brilhante para ficar rico. Toda a vez que alguém é morto e se oferece uma recompensa para achar o assassino, ele interroga diretamente o defunto. Fácil, não? Além disso, Cod não curte pessoas vivas. Seus hobbies são tricô e fazer livros em pop-up (bem ao clima surreal do seriado), mas a amargura dele tem um motivo. Ele tem uma filha que não vê faz anos.

Obviamente que não podemos esquecer de Tony Soprano e sua gangue, Dr McCoy, Higgins (de Magnum), Dr Smith e tantos outros que fazem com que os (somente) bonzinhos pareçam um pé-no-saco. Mas estes ficam como hour-concours!

2 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, hoje em dia o público acha o super-bonzinhos, honestos, sem (muitos) defeitos e politicamente corretos, e que sofrem em nome da honra e justiça um pé-no-saco. Os bandidos que não são tão exagerados ao extremo, mas que possuem esse veio sarcástico, rebelde, que passa por cima de todos pra se darem bem (e muitas vezes se dão bem, mesmo), ou que utilizam de práticas escusas e cruéis para, até mesmo, fazer justiça, esse fazem enorme sucesso. Engraçado não? Nem tanto, se acharmos que talvez seja espelho do que esse mesmo público é e/ou procura e/ou desejaria ser. O problema é que começa a influenciar muita gente, inclusive crianças e jovens, e a gente vê casos de um puxar o tapete do outro, amizades por interesse, golpes, traiçoes, etc. pipocar por aí. Obviamente séries de tv desse tipo não são os únicos culpados por tudo isso, mas que tem sua contribuição em tudo isso, ah, acho que tem. E isso falando-se só em séries de tv, sem mencionar tantas outras coisas que acaba nos influenciando e às crianças, inclusive os filhos, que são aparentemente inofensivos (desenhos, por exemplo), mas que são um perigo... E depois essas crianças crescem... mas se tornam o quê? Bem, muitas dessas crianças já cresceram... e estão por aí... Exagero meu? Espero que sim, mas acho que não...
Não gosto desses anti-heróis.

Marcelo Tadeu disse...

De todos os novos anti-heróis, Alan Shore e Charlie são os melhores!!... quem não gostaria de se passar 1 dia na pele destes caras?!?
Em tempo... o cara do pst aí de cima precisa urgente fazer um blog pra ele!!!!!!